sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Esperança, são para todos?



Nesta semana mais um parágrafo se uniu em nossos livros de história, a vitória da liberdade, da hegemonia, da miscigenação de um povo, contra ao partidarismo, contra todas as mesquinharias que há anos envenenavam o comportamento americano, a vitória, de um afro descendente nos Estados Unidos da América, e se chama Barack Hussein Obama II.

Obama, vindouro Presidente dos Estados Unidos, pois ainda não foi empossado, filho de um queniano com uma americana, combinação apropriada para o novo estilo de política que virá. Estilo que se adornará no patriotismo e na determinação, em um homem que tinha os precedentes para se tornar uma pessoa marginalizada, conseguiu, através da sua decisão de mudança e na esperança em dissolver vários paradigmas da sua cultura, o cargo de presidente da maior potência mundial.

O legado de Bush se acabou, deixando uma lama de sangue, um poço financeiro e uma chaminé para o guerreiro que viverá na Casa Branca. Com tamanha adversidade, só há esperança neste que estar por vir.

Esse mesmo sentimento lembra as eleições presidências, entre José Serra e Lula, este que era tão venerado por seu passado batalhador, por ser um símbolo da perseverança nordestina e tantas outras características que o deixaram com o ego tão além de sua perspectiva mental, que o cegou tanto, mais tanto, que nem os ministros ele soube escolher, pois durante seus dois mandatos, a maior parte deles foi exonerada ou se afastaram dos cargos por envolvimentos de prevaricação ou corrupção.

Creio que Obama não tenha esse mesmo desarranjo, acho que este será o mais competente entre os presidentes do século XXI, pelo seu histórico respeitável, autoridade humanística, e acima de tudo, ele teve aptidão em produzir a excelência moral em aspectos como, meio ambiente, tolerância e inteligência emocional.

Uma particularidade que todos perceberam nessa reta final, a mobilização da população para a vitória de seu candidato, a emoção durante sua vitória. Eu nunca vi eleitores chorarem, se abraçarem, comemorarem tanto como fosse uma Copa do Mundo a vitória de um candidato. Foi algo inédito. Obama teve a habilidade de convencer as pessoas e reconhecer suas emoções, objetivando o engajamento a interesses comuns.

E a surpresa, McCain, dignamente, reconhecendo sua derrota e se prontificando a ajudar o próximo presidente, eu não sei se foi por mero marketing pessoal, mas que foi uma ótima forma de se redimir na perda, foi! Agora entre mim e você, você já presenciou ato tão nobre na política brasileira? Não?! Nem eu!...Se algum dia isso ocorrer, acho que o Brasil será a mais nova potência mundial.

Tanta expectativa para um só homem me preocupa, ele não é um ser divino, é humano como nós, sujeito a falhas, espero que as mesmas pessoas que votaram acreditando na melhoria, não somente dos Estados Unidos, mas, também, em âmbito global, contemporizem diante de seus erros.

E nas palavras de Arnaldo Jabor, “Obama é um trocadilho com Osama, assim como Osama mudou a América pelo mal, Obama quer mudar para o bem.”

Para o bem?...Para o bem de todos ou para o bem dos Estados Unidos? Diante de tanto patriotismo, pode se tornar exacerbado, ao ponto de querer engolir os outros. Só nos resta mesmo, esperança, positiva, é claro, não queremos que o Brasil perca as suas potencialidades naturais pela boa fé dos EUA.

Cândido Sales Gomes 8/11/2008

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Criminalidade e o senso comum


Nós, estudiosos das áreas sociais, devemos nos diferenciar dos demais pensamentos de senso comum. Observando conversas de alguns amigos percebi que essa distinção é importante. O assunto em questão era a fonte do crime. Por quê os crimes existem? Qual a lógica do crime? Qual a maneira de se prevenir?

O debate estava bem tenso. No entanto, notei que sempre corria por um sentido, rumo, caminho. Todos diziam, inclusive alguns especialistas da área: "A violência é resultado da má qualidade educacional. Educação melhor, violência menor." Essa lógica permaneceu sendo a majoritária.

Destarte, não querendo desprezar os pensamentos de senso comum, mas precisamos nos diferenciar. Por quê o crime acontece? Será que é só educação? E a questão dos instrumentos de controle social? E o capitalismo? É viagem, ou tem alguma coisa a ver?!

O estudioso, volto a frisar, deve ir na fonte. Na primazia, no inicio da questão. E fazendo isso, observei que o crime existia por conta do próprio contorno que o sistema capitalista tomou.

Tem algo de lógico com o sistema de controle social bastante frágil do sistema capitalista. Este sistema não quer controlar os jovens. Os jovens não têm medo de repressão nem tampouco são controlados, apesar de quererem. Além disso, a questão da idade influencia na taxa de criminalidade. Um estudo realizado mostrou que os países onde a pirâmide etária possuía muitos jovens, nesses países, a taxa de criminalidade era alta.

Exemplos práticos de que a educação tem a ver, mas não resolve. Estados Unidos e Brasil. Simples e fácil de entender. A educação nunca foi base para a criminalidade. Os crimes ocorrem independente de instrução social, porque se assim fosse só quem cometeria crimes eram os bandidos analfabetos, sem educação, e não é isso que vemos diariamente.

No entanto, voltando a questão do controle social dos jovens. Será que uma escola que "segure" o aluno quinze horas por dia, quarenta alunos, estará ou não controlando?! Será que esses alunos terão oportunidade de cometer tal delito com mais ou menos proporção?

Apesar disso, o que ocorre é o baixo controle típico do sistema capitalista onde o consumo e a anomia toma conta da sociedade. O bom é fazer tudo. O bom é gostar de tudo. O bom é não ter personalidade e ser problemático. Porque só assim o sistema "orgânico" capitalista funciona. Portanto, além do sistema ser defeituoso e egoísta para com a sociedade, ele é bem cruel, e a sistemática é: Quanto mais indivíduos tiverem a sociedade capitalista, maior será a taxa de criminalidade.

Você tem medo de dar dedo para uma cruz? Tem?! Dirá que sim. Portanto, estará sendo controlado. Mas, no local, se não tiver cruz, você tem medo de falar mal do seu amigo da escola com medo de ser enquadrado em algum artigo do código penal? Certamente que não... Fato este que comprova a pouca efetividade dos instrumentos de controle social.

Para quem não sabe, quando me refiro a esses instrumentos, não é somente o Direito. Recai sobre a Moral, a Religião, o Estado, Regras de trato social, etc...

Portanto, o sistema capitalista faz o crime ser patológico. O crime é normal, no entanto, acima da média é considerado patológico. É normal porque sem ele não haveria evolução do Direito, da Moral, dos próprios instrumentos de controle social.

O ideal, para finalizar, seria o equilíbrio desses instrumentos. Nem repressão demais, se não a sociedade fica sufocada e aí acontece problemas políticos, revoluções. Mas também não devemos folgar demais, porque aí o Estado, principalmente, perde a credibilidade, a confiança. E não queira saber quais as conseqüências de um Estado desmoralizado...

Então, diferencie, senhor estudioso, seu pensamento do raciocínio do pedreiro, por exemplo. O pedreiro, sem desmerecer a profissão, deve saber fazer casa. No entanto, se perguntar qual o problema da criminalidade ele incidirá sobre a educação, o que é um senso comum demasiado, e nosso pensamento, por mais revolucionário que seja, ousado, mais críticas sofrerá. É difícil alguém entender algo que nunca raciocinou a priori.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Saudade, senhora saudade...


“Esta palavra saudade
conheço desde criança
saudade de amor ausente
não é saudade, é lembrança
saudade só é saudade
quando morre a esperança”
(Pinto do Monteiro)


A gente sente, mas não toca. A gente sente e nos toca. A gente não sente, e ela pressente. Saudade... Palavra que apenas na nossa língua chama-se assim. O sentimento, saudade no sentido de sentir a falta de alguém, um pouco de tristeza e nostalgia é algo que só a palavra saudade transmite. Em todos os outros idiomas, se quiser defini-la terá de usar mais de uma palavra para chegarmos num sentido semelhante. Exemplo: “i miss you”, em inglês; “ik mis je”, em holandês; “je tu manque”, em francês; “ich vermisse sie”, em alemão; etc.

Mas o que seria o inventor dessa palavra tão delicada e de tanto sentimentalismo. Confesso que, após lê vários poemas, pensamentos de grandes escritores, fiquei meio tímido para dá continuidade ao meu texto, mas como já tinha começado, resolvi continuar.

Distância e saudade. Saudade e distância. Certamente, quem inventou a saudade, sentiu na pele o sabor da distância. Da mesma forma, quem inventou a distância não sabia da dor da palavra saudade. Mas o matemático afirma: A saudade é diretamente proporcional à distância. Quanto maior a distância for, maior será a saudade.

Saudade. Tenho saudade dos meus doze anos. Tenho saudade de brincar na areia no sol quente. Tenho saudade quando meu amigo, duas horas da tarde, batia na campainha de casa pra brincarmos de bola, só nós dois. Tenho saudade de acordar e ver meu desenho preferido na TV. Tenho saudade até do que não vivi.

Já tenho saudade da minha fase adulta, pois me vejo idoso. Já tenho saudade dos meus pais, pois sei que vou perdê-los um dia. Já tenho saudade dos meus avós, pois deixarão essa vida e passará para o andar de cima. Já tenho saudade do meu emprego, meus colegas de trabalho, pois sei que vou me aposentar. Já tenho saudade do mundo, pois sei que um dia vou morrer.

Não coloquei aqui uma definição para a palavra. Tentei exemplificar com o que eu sinto, porque tenho certeza que é mais importante do que qualquer conceito dado.

Não sei. Faltam-me palavras para continuar esse texto. Só me vem na cabeça a palavra saudade. Não sei por quê! Não consigo desenvolver nada. Só me vem a cabeça tudo que já passei, e tudo que sei que vou passar.

Apenas queria demonstrar o apreço que tenho por ela. Pelo sentimento que ela transmite.

Enfim, talvez tenha conseguido através dos exemplos. Talvez não. Se não estiver conseguido, caros leitores, me desculpem.

Desculpa-me a incompetência e a ousadia de tentar passar para o papel algo tão concreto e surreal ao mesmo tempo; tão real e imaginário; tão presente e abstrato. Desculpe-me, Senhora Saudade. A vontade tem que esbarrar em nossos limites.

Talvez até conseguisse falar melhor. Poderia dar conceitos, falar de quem criou, e até contar uma estória. Mas será que haveria o mesmo sentimento? Isso me preocupa. Um juiz pode prender minha liberdade, porém a saudade prende não somente a minha liberdade. Ela prende meu interior. Prende meu coração. Prende meu pulmão. Ela me asfixia. Perdão, excelentíssimo juiz, mas a saudade é saudade. Não é doutora, mas tem especialização. Não viaja, mas está no mundo todo. Não é Deus, mas trabalha com ele.

E como amo a música e a música me ama (risos), terminarei o texto com o trecho de um bolero que diz: “E por falar em saudade, onde anda você?” Caro leitor, onde anda tua saudade?

Show


É só uma voz, a minha voz
Sem coração, cadê o coral?

Cantava aqui, estava aqui
Cadê o pessoal?!

A música avança, lança em mi
Um gelo geral, solidão, vôo sem coral

É só uma vez, a minha vez
De fazer o solo final

Eu entro aqui, eu entro em "mi", voz principal
Solei, solei, e um coro virtual eu ouvi
Anunciando sem dó, sou eu e só

E assim eu refiz meu caminho com voz e com muita emoção
O coro virtual eu troquei por um vigoroso violão
E quem sonhou, sofreu, chorou...
Pode fazer de uma só voz UM SHOW

Pode não ser um megashow
Um festival com multidões
Mas quem chorou já tem na voz UM SHOW




Composição: Luiz Tatit e Fábio Tagliaferri

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Compensação


Dias mergulhados no trabalho
Atravessam o ano num leve reflexo
A rotina nos conforma
Para um pesado sono perplexo.

Prostro cansado nos meus sonhos
Sentindo a sucinta pancada macia
De tua pele no meu travesseiro
Transcorrendo rugas lateríticas.

Quando encontro suas palavras
Meu silêncio transcende à ventura,
Brota água dos meus olhos,
Regando as fendas da loucura.

Penso que o amor está difícil, tão quanto
O ofício aumenta, apesar da injustiça
Vivo essa recompensa de tê-la como
Inspiração para meus dias.

domingo, 2 de novembro de 2008

Da euforia à Frustração


Passa-se da meia-noite no horário de verão. Um dia após a derrota inexplicável do nosso piloto brasileiro. Uma corrida curiosíssima. Choveu, secou, mudaram pneus, posições, e Massa sempre na vanguarda dos outros competidores.

Daí, assistia a corrida de minha residência. Do meio para o fim, tive que sair. Quando cheguei no destino, outra televisão ligada na corrida. A notícia era: Massa em primeiro; Hamilton em quarto. Eu pensei, "esse título é do Hamilton".

No entanto, só deu tempo de subir para o apartamento e cumprimentar os familiares e amigos. Quando menos espero, o dono do apartamento, e nosso amigo, Glauco, vem de lá dizendo: "Hamilton tá em quinto faltando 4 voltas!"

Pensei que aí daria certo, mas que mesmo assim era muito difícil. Ademais, quando chegou na segunda volta para o final, Hamilton é ultrapassado por Glock. Glock tira o título de Hamilton e dá a Felipe Massa.

Felipe Massa encerra a corrida. Pensei que naquele momento poderíamos considerá-lo campeão mundial, no entanto, esquecemos do restante dos pilotos disputando as outras posições, e o próprio título. Então, na última curva, Glock não suporta a pressão e "deixa" Hamilton passar.

Nesse momento, sem dúvida, só pensei em corrupção. Alguém mandou um aviso para o piloto deixar Hamilton passar, pois daquela forma ganhariam algo da escuderia campeã. E o que mais me intriga, e que são fortes indícios, é o fato de que o piloto Glock freou bruscamente e Hamilton passou como se fosse algo combinado.

Não sei se é verídico, ou se são desculpas ou pensamentos de quem queria ver um grande batalhador e guerreiro no pódio com o título do mundo.

Não obstante, o brilho de Massa foi intenso. Seu talento foi compreendido e aplaudido de pé pelos milhares de brasileiros que pagaram, muitos deles, caro para assistirem a essa prova de fogo.

Lembramos, por final, do mestre e maior piloto do nosso país Ayrton Senna, junto dele Nelsinho Piquet, Fitipaldi, etc...

Nostalgia que fiz com que as televisões do Brasil todo estivesse atenta. Como se fosse um jogo do Brasil. Como se fosse uma Copa do Mundo de futebol. Como se fosse o Brasil que merecemos ter e ser perante toda a comunidade internacional

Valeu, Massa!
Deus guarda algo maior para você!

Sejam Bem-vindos

"O destino dos Homens é a Liberdade" (Vinícius de Moraes, botafoguense fanático)


Desta forma, inicio de forma oficial meu blog.


Um grande abraço a todos,