
Nesta semana mais um parágrafo se uniu em nossos livros de história, a vitória da liberdade, da hegemonia, da miscigenação de um povo, contra ao partidarismo, contra todas as mesquinharias que há anos envenenavam o comportamento americano, a vitória, de um afro descendente nos Estados Unidos da América, e se chama Barack Hussein Obama II.
Obama, vindouro Presidente dos Estados Unidos, pois ainda não foi empossado, filho de um queniano com uma americana, combinação apropriada para o novo estilo de política que virá. Estilo que se adornará no patriotismo e na determinação, em um homem que tinha os precedentes para se tornar uma pessoa marginalizada, conseguiu, através da sua decisão de mudança e na esperança em dissolver vários paradigmas da sua cultura, o cargo de presidente da maior potência mundial.
O legado de Bush se acabou, deixando uma lama de sangue, um poço financeiro e uma chaminé para o guerreiro que viverá na Casa Branca. Com tamanha adversidade, só há esperança neste que estar por vir.
Esse mesmo sentimento lembra as eleições presidências, entre José Serra e Lula, este que era tão venerado por seu passado batalhador, por ser um símbolo da perseverança nordestina e tantas outras características que o deixaram com o ego tão além de sua perspectiva mental, que o cegou tanto, mais tanto, que nem os ministros ele soube escolher, pois durante seus dois mandatos, a maior parte deles foi exonerada ou se afastaram dos cargos por envolvimentos de prevaricação ou corrupção.
Creio que Obama não tenha esse mesmo desarranjo, acho que este será o mais competente entre os presidentes do século XXI, pelo seu histórico respeitável, autoridade humanística, e acima de tudo, ele teve aptidão em produzir a excelência moral em aspectos como, meio ambiente, tolerância e inteligência emocional.
Uma particularidade que todos perceberam nessa reta final, a mobilização da população para a vitória de seu candidato, a emoção durante sua vitória. Eu nunca vi eleitores chorarem, se abraçarem, comemorarem tanto como fosse uma Copa do Mundo a vitória de um candidato. Foi algo inédito. Obama teve a habilidade de convencer as pessoas e reconhecer suas emoções, objetivando o engajamento a interesses comuns.
E a surpresa, McCain, dignamente, reconhecendo sua derrota e se prontificando a ajudar o próximo presidente, eu não sei se foi por mero marketing pessoal, mas que foi uma ótima forma de se redimir na perda, foi! Agora entre mim e você, você já presenciou ato tão nobre na política brasileira? Não?! Nem eu!...Se algum dia isso ocorrer, acho que o Brasil será a mais nova potência mundial.
Tanta expectativa para um só homem me preocupa, ele não é um ser divino, é humano como nós, sujeito a falhas, espero que as mesmas pessoas que votaram acreditando na melhoria, não somente dos Estados Unidos, mas, também, em âmbito global, contemporizem diante de seus erros.
E nas palavras de Arnaldo Jabor, “Obama é um trocadilho com Osama, assim como Osama mudou a América pelo mal, Obama quer mudar para o bem.”
Para o bem?...Para o bem de todos ou para o bem dos Estados Unidos? Diante de tanto patriotismo, pode se tornar exacerbado, ao ponto de querer engolir os outros. Só nos resta mesmo, esperança, positiva, é claro, não queremos que o Brasil perca as suas potencialidades naturais pela boa fé dos EUA.
Cândido Sales Gomes 8/11/2008




